A gente não é mais adolescente
Na adolescência, tudo parece passar pelo sexo
Na adolescência, parece que tudo passa pelo sexo. A curiosidade, as descobertas, a vontade. Mas aí chega a fase adulta, a vida acontece, e quando finalmente “pode”, nem sempre a vontade acompanha.
A ironia entre desejo e liberdade
Existe uma certa ironia. Quando a gente era adolescente, tinha desejo e não tinha liberdade. Quando cresce, ganha liberdade, mas pode perder o desejo. Só que isso não acontece porque “é assim mesmo”.
Quando a rotina pesa
A rotina pesa. O trabalho pesa. Os filhos, os relacionamentos, o cansaço, as preocupações. E o sexo, que parecia tão urgente na adolescência, pode acabar ficando lá no fim da lista.
Só que não é só a rotina que pode explicar essa mudança.
O desejo também conversa com o corpo
O desejo também conversa com o nosso corpo. Sono, estresse, medicamentos, saúde física e emocional, relacionamento, autoestima e alterações hormonais podem interferir na forma como a gente sente e vive a sexualidade.
Uma diferença importante
Existe uma diferença importante: não ter vontade de transar de vez em quando é absolutamente normal. Outra coisa é perceber que o desejo mudou, que isso incomoda você ou que a sua vida sexual deixou de ser como gostaria.
Sexo faz parte da saúde em todas as fases
Sexo continua fazendo parte da saúde em todas as fases da vida, inclusive quando a gente já passou, há tempos, da adolescência. E falar sobre isso no consultório deveria ser tão natural quanto falar sobre sono, dor ou qualquer outro sintoma.
Uma sexualidade que muda com a gente
Hoje é Dia do Adolescente. E talvez seja uma boa desculpa para lembrar de uma fase em que sexo parecia ocupar espaço demais na nossa cabeça.
Na adolescência, a gente quer saber, quer experimentar, mas ainda não tem maturidade, autonomia ou segurança para viver isso.
Anos depois, quando já existe mais liberdade, pode acontecer justamente o contrário: o sexo deixa de ocupar tanto espaço. A vontade diminui, outras coisas ganham prioridade e, às vezes, a gente nem entende direito quando isso aconteceu.
Mas é importante lembrar que não existe uma idade em que o desejo precisa ser de um determinado jeito. O que existe é uma sexualidade que vai mudando junto com a gente. E falar sobre isso também faz parte de cuidar da saúde aos 15, aos 30, aos 50 ou aos 70.
Dra. Joana de Araújo, Médica Ginecologista, CRM 31048, RQE 22064
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