E se o ovário não “desligasse”?
Durante a vida reprodutiva, a gente conhece o ovário principalmente por duas funções: produzir óvulos e participar da produção hormonal. Mas o que acontece com ele quando essa fase termina?
Por muito tempo, a ideia era de que o ovário simplesmente se tornava um órgão praticamente inativo. Mas um estudo recente publicado na Molecular Human Reproduction está mostrando que pode não ser bem assim.
Os pesquisadores acompanharam ovários de camundongos em diferentes fases do envelhecimento e observaram uma mudança importante: à medida que o ovário perde sua identidade reprodutiva, ele passa a apresentar características de um órgão com atividade imunológica.
Os ovários pós-reprodutivos analisados apresentaram maior presença de células do sistema imunológico, além de alterações na expressão de genes relacionados à resposta imune e à inflamação.
É como se o ovário mudasse de “função principal”. Antes, seu papel está ligado à reprodução. Depois, ele passa a apresentar um perfil mais imune e inflamatório.
Mas atenção: essa pesquisa foi feita em camundongos. Ainda precisamos entender se e como essa mudança acontece nos ovários humanos. O que ela mostra, por enquanto, é que talvez tenhamos subestimado o que acontece com o ovário depois da menopausa.
Ele não necessariamente deixa de funcionar. Ele pode mudar a forma como funciona. E essa descoberta pode abrir uma nova frente para entender o envelhecimento feminino e a saúde depois da menopausa!
Dra. Joana de Araújo
Ginecologista - CRM 31048 | RQE 22064
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