Pornografia também pode ser um problema para mulheres
Quando o assunto é uso compulsivo de pornografia, quase sempre imaginamos um homem envolvido. Mas será que esse é mesmo um problema exclusivamente masculino? O relato recente da influenciadora Thaís Linares mostra que não.
O relato de Thaís Linares
Thaís Linares é influenciadora digital de sucesso, com mais de 7 milhões de seguidores nas redes sociais. Aos 24 anos, casada desde os 20, ela também é fundadora e proprietária da Tha Beauty, uma marca de cosméticos e produtos de beleza.
Recentemente, Thaís participou do podcast PodDelas e falou abertamente sobre seu vício em pornografia, um comportamento que começou quando ela tinha apenas 12 anos. Durante muito tempo, ela não conseguiu falar sobre isso nem com a própria família.
Na entrevista, a influenciadora e empresária contou que, depois de abrir sua história ao público, recebeu mensagens de muitas mulheres dizendo: "Eu também vivo isso."
A pornografia também pode virar uma prisão para mulheres
Esse é um ponto importante: a pornografia também pode virar uma prisão para mulheres, só que quase ninguém fala sobre isso. Por ainda ser tratado como um "problema masculino", o tema costuma vir acompanhado de mais vergonha, culpa e silêncio quando envolve mulheres.
Quando pensamos em uso compulsivo, quase sempre imaginamos um homem. Mas mulheres também podem desenvolver uma relação marcada por perda de controle, repetição e dificuldade de interromper o comportamento, mesmo quando ele já causa sofrimento ou prejuízos.
Quando assistir pornografia deixa de ser apenas um hábito
Assistir pornografia não significa, automaticamente, ter um problema. O alerta aparece quando:
você tenta parar e não consegue;
o conteúdo começa a ocupar cada vez mais tempo;
interfere no sono, no trabalho ou nas relações;
você continua mesmo percebendo prejuízos;
a tela começa a substituir a intimidade da vida real.
Às vezes, esse comportamento também vira uma forma de anestesiar a ansiedade, a solidão, o estresse ou sentimentos que a pessoa não sabe muito bem como enfrentar.
Não se trata de moralizar o prazer, mas de compreender a função que esse comportamento passou a ocupar na vida de cada pessoa.
Mulheres também vivem isso e precisam de espaços seguros para falar, sem julgamento e sem vergonha. Falar sobre isso sem julgamento é essencial, e pedir ajuda não deveria ser motivo de vergonha.
Dra. Joana de Araújo
Ginecologista - CRM 31048 | RQE 22064
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